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24 de março de 2011

Fábrica do Amazonas vai produzir pneus de bicicletas e motocicletas


A planta, uma das mais modernas do mundo na fabricação de pneumáticos, usará matéria-prima do estado. Serão mais de R$ 120 milhões de investimentos, que gerarão 800 novos empregos diretos

Manaus, 24 de Março de 2011

Jornal Acritica



Fábrica moderna vai absorver produção extrativista de 1.700 famílias nas profundezas da floresta
Fábrica moderna vai absorver produção extrativista de 1.700 famílias nas profundezas da floresta (Divulgação)
O Grupo Levorin vai produzir 700 mil pneus de bicicleta e 100 mil de motocicletas mensalmente, a partir de julho, no Polo Industrial de Manaus. A planta, uma das mais modernas do mundo na fabricação de pneumáticos, usará matéria-prima do Amazonas. Serão mais de R$ 120 milhões de investimentos, que gerarão 800 novos empregos diretos, sendo 400, em 2011, e o restante no próximo ano. A planta industrial fica no KM 22 da AM-010.
“Em nossa expansão identificamos o Amazonas como sendo o Estado ideal para produzir os pneus que irão abastecer o pólo de duas rodas de Manaus, bem como o restante do País. Acreditamos que as condições do extrativismo da borracha local, com qualidade, tecnologia e mão de obra altamente qualificada, são as melhores. Contamos, ainda, com a cultura do pneu verde, um produto que respeita as populações tradicionais que vivem na floresta e extraem o melhor látex natural do mundo com sustentabilidade”, disse o superintendente geral do Levorin, Auro Levorin, 56.
LIDERANÇA
O grupo, que é líder na produção de pneus de bicicleta no continente americano e segundo no de motocicletas, se prepara para assumir a liderança global de pneumáticos no setor de duas rodas. O investimento no Estado somente foi possível depois que a empresa foi a campo e identificou as potencialidades dos seringais existentes nas principais calhas dos rios. A mão de obra tradicional das famílias de seringueiros foi outro fator determinante para a escolha de Manaus, que passará a ser um núcleo avançado de desenvolvimento tecnológico. “A Suframa tem nos ajudado para a implantação da fábrica, através dos benefícios tributários, mas o Governo do Estado foi determinante, porque entre as suas diversas atividades na área, está a de subsidiar a borracha extraída por centenas de famílias que vivem nos seringais, que nos fornecerão matéria-prima”, destacou Auro Levorin.
RENASCIMENTO
Na avaliação do presidente do Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS), Manoel Cunha, a presença de uma fábrica no Amazonas agrega um novo valor à cadeia produtiva do látex em escala regional, nacional e internacional: “Eu sou seringueiro e vivo no rio Juruá em uma reserva extrativista. Sempre acreditei no renascimento da nossa cadeia produtiva e, agora, vejo que estamos muito perto de recuperar o tempo perdido”, disse Cunha, que é o sucessor na instituição que teve, como um dos seus dirigentes, o histórico líder Chico Mendes, mártir dos povos da floresta e da sustentabilidade.
BIOPIRATARIA
Vale lembrar que a Ásia, no começo do século 20, por força e obra do capital britânico, foi quem recebeu de forma pirateada as mudas de seringueiras do Amazonas, o que resultou na derrocada da economia amazonense pela mudança do foco geográfico de produção do látex. Hoje, com o mundo a beira de um colapso ambiental e com a necessidade de preservar os povos da floresta, que mantêm a maior floresta tropical do Planeta em pé, os países desenvolvidos percebem que a borracha amazônica é um eco-produto decisivo para a continuidade das práticas extrativistas com baixo impacto à natureza. Nesta direção, a Levorin, com o auxílio da usina de beneficiamento Borracha da Floresta, em Iranduba, que começa a funcionar em abril, com capacidade de processamento de 600 toneladas de borracha/mês, tem todas as condições de resgatar de maneira sustentável a cadeia produtiva do látex, gerando receita em larga escala para mais de 10 mil famílias que vivem nos seringais do Amazonas. “Toda a borracha que processaremos será para abastecer o grupo”, disse o empresário Osmar Serafim de Andrade (Mazinho), dono da usina processadora de Iranduba. A outra usina processadora pertence ao empresário Alarico Cidade e fica em Manicoré. Sua capacidade de processar a matéria-prima é praticamente a mesma de Iranduba, o que permite dizer que toda a borracha que for produzida no Estado terá comprador, em função da demanda industrial.
Selo verde
Na avaliação do presidente da Agência de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (ADS), Valdelino Cavalcante, “comprar uma motocicleta ou bicicleta com o selo da Amazônia, especialmente dos pneus verdes, representa valorizar a mão de obra extrativista, daqueles que vivem nas profundezas da floresta. Significa, igualmente, evitar o desmatamento e manter os caboclos em seus lugares de origem com educação, saúde, receita digna, moradia, transporte, alimentação balanceada e um novo patamar de qualidade de vida, sem que eles tenham que migrar para as cidades”.

Chão de fábrica da Levorin, pronto para receber maquinário

Matéria-prima de seringais seculares
A produção de borracha do Amazonas saiu de 32 toneladas em 2002, segundo o IBGE, para 704 em 2010, com projeção de atingir 1.040 toneladas em 2011. As 1.700 famílias que atuam nos seringais das calhas dos rios Madeira, Juruá, Purus e do Baixo Amazonas tendem a aumentar a produção, em decorrência das boas condições de mercado e pelos subsídios.
A política de garantia do preço mínimo pelo kg da borracha, capitaneada pelo Governo Federal, via Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), ajuda os seringueiros a retomarem o Eldorado do látex.
O preço mínimo definido é de R$ 3,50, o kg - os usineiros compram o kg do produtor, em média, por R$ 2,80 - que, com a complementação federal chega a R$ 3,50. O Amazonas repassa em subsídios, em média, R$ 1, e tem ainda 6 municípios (Carauari, Lábrea, Manicoré, Canutama, Pauini e Jutai) que subsidiam a matéria local, o que permite chegar até a R$ 5,20.
Esta cadeia de apoio aos produtores é uma estratégia para alavancar o comércio extrativista sem destruir a floresta, mantendo homens e mulheres nos seringais seculares.

Fontes:http://acritica.uol.com.br/amazonia/Fabrica-Amazonas-produzir-bicicletas-motocicletas_0_449955091.html.

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